Parkour no Brasil

Treino aberto na academia Tracer
Hoje em dia, o Parkour não é mais completamente desconhecido como era a meros cinco ou seis anos atrás. A arte de movimentar seu corpo para superar obstáculos usando apenas a própria força já é, na maioria das vezes, prontamente reconhecida como Parkour – ou pelos menos assim o é no exterior.
No Brasil podemos perceber a lenta disseminação da modalidade, que, embora ainda não extremamente popular, está chegando com força e promete emplacar. Cada vez mais o Parkour está aparecendo nas mídias, principalmente na internet.
Uma das pessoas que está ajudando com a educação brasileira no Parkour é Jean Wainer, que fundou a primeira academia brasileira de Parkour, em São Paulo. Jean faz parte da primeira geração de tracers (praticantes de Parkour) do Brasil.
Como foi começar a treinar quando o esporte ainda não estava estabelecido no Brasil? Como era o acesso à informações, quais os tipos de treinos que vocês faziam, quais os riscos que tomavam?
Era estranho. Tínhamos aquele “ímpeto” adolescente de achar que sabíamos o que era só de ver os vídeos, e querer imitar. Os vídeos mostram apenas o resultado dos treinos, não tudo o que a pessoa passou para chegar lá. Assim, com algum passado esportivo, os poucos que começavam não tinham muita base e tentava simplesmente imitar os movimentos. Isso causou uma onda de lesões nessa primeira geração de Parkour, que se submetia a riscos ao desbravar essa nova “prática” sem conhecer os fundamentos. São vários casos de fraturas ou lesões a médio/longo prazo como tendinite patelar dessa primeira geração – e na verdade isso ainda acontece com alguns que optam por treinar sem buscar orientação.
Por outro lado, pudemos conhecer muito sobre nós e nossos limites – por isso a experimentação é importante. No entanto, não era saudável pra aquele grupo de não-tão-jovens de média de 25 anos com pouco condicionamento físico.
Quem que começou a treinar com você? Quem formou a primeira geração de tracers?
No início, éramos alguns em São Paulo (além de mim havia o grupo Le Parkour Brasil, em sua primeira geração, com Eduardo Bittencourt, Rodrigo, Jacques, etc), grupos em Brasília (liderados pelo Alberto Brandão, ativo até hoje e Bernando Puglia, não mais praticante), Florianópolis (Nikolas e os vídeos do Esquilo, o primeiro a produzir vídeos em série – não mais ativo), e alguns do Rio de Janeiro.
Quais os acessórios utilizados para treinar?
Nenhum específico. Praticamos com roupas confortáveis, frequentemente descalços. O traje mais comum é calça de moletom e camiseta de algodão, no máximo um tênis de corrida simples. Mochilas estilo de hidratação também são comuns, já que promovem mobilidade enquanto carregam celular, carteira, agua, chave, etc.
O que fez você decidir abrir uma academia de Parkour?
Esse é um sonho antigo, desde 2006. O que me fez realiza-lo agora foi sentir a necessidade de um ensino profissionalizado para uma disseminação correta da prática, que pode agregar muito valor para as pessoas, trazer muitos benefícios se disseminado com a ideologia original. E a procura pela academia depois de aberta tem confirmado essa necessidade.
A academia Tracer fica na Rua Cardeal Arcoverde em São Paulo, e também oferece aulas de free running, acrobacias e ginástica artística. Vale a pena conferir!
















